O que é?

Este blog foi criado para postar textos e sonhos. Uma forma de expressar sentimentos mais secretos.Um dia comecei a escrever os meus sonhos e percebi que pareciam verdadeiras aventuras, tipo um filme ou um texto de alguma revista. Então mesmo que minha "hiena interior" ficasse me dizendo que eu pareceria ridícula, resolvi dividir isso com outras pessoas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Para 2012...Um presente a todos

No ano de 2011 por várias vezes ouvi de uma pessoa importante e querida para mim, que eu não era grata pelo que tinha. Ela falava e nunca se deu conta de que as palavras dela  me doíam, porque soavam erradas aos meus ouvidos e tão injustas.
Pensando neste fim de ano, como é costume, a maioria de nós faz um levantamento do ano, de tudo o que se passou; tipo uma retrospectiva. E pensando também nos presentes de Natal vi o porquê palavras como “você nunca esta satisfeita com o que tem” ou “você nunca esta grata” me soavam erradas. Porque na verdade sou grata por várias coisas que tenho, por várias coisas que conquistei em minha vida. Talvez não diga para outros e não saia gritando ao universo minha gratidão, mas as pessoas certas sabem o quanto as amo. Meus amigos sabem o quanto estou ao lado deles, porém a frase “você nunca esta satisfeita com o que tem” não foi uma criação do nada deste meu ente querido. Ela tem uma razão de existir. Eu poderia dizer que vem de uma falha minha, mas deixo o julgamento para quem esta lendo o texto; dizer se é uma falha ou não.
 Vamos colocar assim: Eu costumo dar presentes, deveriam ser doações, mas não são. São presentes mesmos.
 Para as pessoas mais amadas dou presentes que para mim são mais e mais caros; na verdade sem valor. Para elas me dou por inteira: amor, cuidados, atenção; o que precisarem eu estou ali, pronto para socorrer, ouvir, me dar.
 Para outros; dou amizade, confiança, consideração, paciência, conselhos, um ombro.
  E aí vem o problema destes presentes.
 Alguns são retribuídos durante os dias do ano e muitos não. Para alguns que os recebem passam despercebidos, como se não custassem nada para mim. Na verdade mesmo eles sendo presentes “sem preço”, pois para quem amamos qualquer sacrifício é nada, queremos sim um sorriso, um reconhecimento. E que esse sorriso nos preencha de tal forma que a "palavra" gratidão se torna insignificante.
Imagine assim: se você soubesse que existe uma pessoa muito rica, ela é repleta de amor, amigos, atenção, paciência, cuidados, tempo. E todos os dias várias pessoas depositam a sua porta mais e mais riquezas desse tipo. Entretanto, essa pessoa dá de presente o que nos chamamos de pequenas lembrancinhas de vez enquanto. O que você diria dessa pessoa? Veja, ninguém tem obrigação de dar presentes a ninguém. Mas vai dizer que quando você escolhe com tanto carinho um presente numa data especial para alguém, não espera que o outro tenha tido o mesmo carinho por você? Pois é, daí que vem a frase “você nunca esta satisfeita com nada”. Injusta, porque me satisfaria sim; se soubesse que aquela pessoa tão pobrezinha de espírito tivesse me dado com muito sacrifício algo. Mas sabendo o quanto ela é rica e não teve o mesmo carinho que eu tive por ela é algo que sim; nunca vou me contentar.
Sabe resolvi com esse texto desejar que em 2012 as pessoas não sejam apenas gratas pelos presentes que recebem da vida, mas que também os retribuam. Para que assim todos os dias do ano possam ser dias de Natal.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Texto - Não tenho tempo

Ontem após um exame muito ruim e de um dia nada bom. Peguei meu ônibus do Jardim Botânico a Tijuca,, trajeto enorme, vim olhando cada detalhe da paisagem e pensando; nos meus problemas, na minha vida, nas coisas que eu quebrei, nas que quebraram e principalmente em tudo que construí nos últimos tempos. Me dei conta de como a conversa com o medico mexeu comigo e como o meu tempo já esta se reduzindo. Quando o ônibus parou em frente a uma loja pensei: "passei da metade do meu tempo de vida ", isso se chegar na media da população (não fiquei deprimida, mas acho que despertada). Tenho que ter prioridades, pensei e tomei umas decisões.
Já não me permito passar mais que 30 minutos chorando. Já não me permito que todo o meu dia se desmorone porque um pedaço tenha ruído, mesmo que esse pedaço tenha um significado para mim; não permitirei que ele me estagne. Não tenho mais tanto tempo assim.
Posso ter conquistado uma casa, um carro, uma viagem. Mas ainda não tenho tão disponível assim o céu azul, o mar, a areia nos meus pés, a noite estrelada e a musica que chega aos meus ouvidos com o vento. E quando posso ter um tempo com essas coisas, é uma preciosidade que fica, é uma conquista de grande valor, são instantes que me presenteio.
Me dou 30 min para chorar de minhas tristezas porque faz parte do meu caminho, mas que o tempo que eu tenha seja preenchido com sorrisos, com festas de amigos, com demostrações de amor e admiração. Se nessa caminhada eu me aborrecer, me irritar quero que seja o tempo suficiente para me lembrar que já não tenho tanto tempo. Tantas vezes passei por cima de sentimentos ruins e dores que sentia;,por amor ao outro, de agora em diante passarei por esses sentimentos ruins por alguém muito especial e que merece muito EU.
Acordei ansiosa, mas consciente que não adianta eu correr tudo acontecerá no tempo certo. Só que hoje não me olhei no espelho e vi só o valor que eu tenho .Vi o valor que meu tempo de vida tem. Sei que não tenho e não terei tudo o que desejo, mas o que eu puder fazer para ser o melhor tempo que eu tenho eu vou fazer.

domingo, 6 de novembro de 2011

Sonho 7 - Retorno

Novamente estava naquele palácio, notei que era o mesmo pela enorme fonte em um dos salões. Agora eu estava na lateral de uma enorme escadaria que dava no salão principal, acima da escadaria entre a parede e o teto estátua de uma mulher com asas de anjo se destacava. O palácio estava como da ultima fez, com aparência de largado, sem nenhuma conservação, parecia que os donos tinham falido. A cozinha era vizinha ao salão principal e era enorme, mas somente lembro das altas paredes em azulejo de um azul velho e encardido e uma grande mesa de madeira não muito escura.
Minha mãe que estranhamente tinha a mesma idade que eu e mas uma outro moça estávamos passando uns dias lá e este seria o ultimo. Havia duas pequenas malas vermelhas ao meu lado e um caixão negro com um manequim dentro a minha frente. Eu falava a minha mãe que não seria possível levar essas coisas comigo mas não abriria mão delas e por isso alguém deveria enviá-las posteriormente. E minha mãe perguntou: "Mas para quê esse caixão enorme?" e eu disse que era o único jeito de transportar a boneca sem quebrar. E ela falou deixe-a. Eu totalmente contrariada com o que ela falou, disse que nunca faria isso, pois ela era minha amiga, esteve comigo quando eu precisava, não iria deixa-la. Então quis sair dar uma ultima volta, e minha mãe ficava falando que não chegaríamos a tempo de pegar o transporte e retornar para casa, mas eu insisti. Ela queria ir a praia, porém eu tinha de me depilar, mas como ela estava querendo voltar rápido para o palácio disse que iríamos primeiro a praia depois eu faria depilação, afinal não haveria ninguém na praia com aquele céu nublado.
Na praia não havia ninguém mesmo, somente nós três. A faixa de areia era bem estreita e a areia escura e grossa. As nossas costas havia um enorme rochedo muito negro e o mar fazia pequenas ondas de água muito escuras, soprava uma brisa; ficamos ali um tempo olhando, logo as duas retornaram e eu segui para a cidade, mas antes de ir fazer a depilação precisava ir a farmácia, encontrei uma única vaga para o carro na rua principal em frente a farmácia, mas era proibido estacionar e não me deixaram ir lá nem por um minuto nem tão pouco me atenderam no carro; segui dirigindo até o fim da rua principal, lembro que ao final encontrei uma senhora, simpática, gordinha de cabelos brancos, que me era familiar de outros sonhos nesta mesma rua, ai eu retornava a procura de farmácia, dessa vez mais feliz pois não haveria problemas para estacionar já que eu pedalava um triciclo. Parei na farmácia e sai com uma pílula branca do tamanho de um botão na mão e neste instante fui despertada por um telefone.

sábado, 22 de outubro de 2011

Sonho 6 - O presente

A alguns anos atrás eu frequentei um centro Kardecista, mas por alguns motivos que não são relevantes agora eu deixei de ir porque não estava atendendo minhas necessidades. Nesta época eu passei por problemas, ia dizer grandes, mas pensando melhor não; esse tipo de coisa não se deve mensurar, mas enfim em certa situação até risco de vida passei. Então depois de todos esse acontecimentos e muito fragilizada, tive o seguinte sonho: Era noite e eu fui ao centro, entrei no pátio principal e perto do balcão onde as pessoas pegavam papeis para pedir oração aos necessitados bem a minha frente havia uma senhora idosa e ao seu lado um passo atrás uma lindíssima cigana, com longos cabelos que desciam em cachos volumoso, pele clara, esquia, suas roupas chamavam a atenção pelo brilho do vermelho, branco e dourado. Com um riso contagiante ela falava ao ouvido da senhora "ela não lembra de mim" e ria "mas ela sabe quem eu sou" e novamente ria "ela sabe quem eu sou". E eu admirada por sua encantadora imagem parei diante dela e ela me disse "abaixe a cabeça, quero te dar isto". Era o colar mais maravilhoso que eu já vi e verei com toda a certeza, era todo feito de pedras, principalmente quartzo rosa e flores e folhas naturais. Ela disse "é para te proteger", mas o colar era tão pequeno e falei que não passaria na minha cabeça, então ela disse "passará, se abaixe", então inclinei meu corpo para frente como uma reverência e me abaixei, como mágica o colar passou e neste minuto acordei. Acordei maravilhada com o colar, queria desenhá-lo, mas não podia, não conseguia e jamais conseguiria criá-lo no mundo real.
Nesta mesma semana, ainda fragilizada pelos problemas me recomendaram uma ir a uma médica, pois era uma pessoa calma, atenciosa e eu incluo neste comentário carinhosa, que poderia me ajudar. Me vendo tão ansiosa como terapia ela me deu uma atividade, criar um colar, procurar contas de meu agrada e fazê-lo para mim. Imediatamente a imagem do sonho me veio a cabeça, não poderia criar "aquele" colar mas poderia usar contas que por sua cor me fizessem lembrar e ter o sentimento que era "aquele". E foi o que eu fiz. E por estranho que possa parecer quando estou com este colar me sinto protegida e tão bem. E ele só aparece quando eu preciso, não sou muito organizada e não sou de guardas as coisas no mesmo lugar então as vezes eu tiro ele e ele simplesmente some, então por coincidência quando estou me sentido perdida "O Presente" aparece.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sonho 5 - Procurando seu caminho na luz (Autoconhecimento)

Era noite eu descia uma pequena ladeira, havia calçadas, mas a rua era de terra, estava perdida e amedrontada, parei em direção oposta as pessoas que desciam e procurava uma mulher para perguntar se estava na direção certa. Lembro que a segunda mulher eu perguntei se aquele era o caminho do Méier, não sei por que Méier, mas enfim; era uma senhora gorda de meia idade e usava um vestido estampado, ela não sabia me informar. Um senhor de estatura mediana, cabelos totalmente grisalhos, obeso, com roupas antigas e velhas; ouviu a minha pergunta e notou que eu não questionava aos homens, pois tinha medo deles perceberem que eu estava perdida; de longe disse que eu estava no caminho certo, mas não me passou nenhuma confiança. Entretanto não tinha escolha, segui caminhando ladeira abaixo e notei que não estava indo para o local desejado, e sim para uma área portuária, muito suja e com equipamentos industriais. A ladeira começou a ficar muito íngreme e com curvas acentuadas e a estrada muito estreita, de repente eu parecia um gigante me segurava nos equipamentos industriais para não cair ladeira abaixo. Quando finalmente cheguei ao porto tudo era muito escuro, sujo e repleto de restaurantes e bares. Segui meu caminho e teria que entrar em um túnel muito assustador, na entrada do túnel uma jovem entregava velas, eu observei que o homem a minha frente esperava a sua, ela com uma vareta pegou uma quantidade de parafina e modelou uma vela muito interessante que me impressionou, quando me aproximei esperei por uma vela tão interessante quanto à dele, mas para minha surpresa ela demorou muito e me veio com um objeto que eu não gostei nem um pouco: tinha a forma de uma caneta de um vermelho vivo e acendia feito um acendedor de fogão, vendo minha decepção ela me explicou que cada vela tinha um propósito e que neste túnel entravam casais em lua de mel e pessoas sozinhas como eu; que buscavam o autoconhecimento e que eu não precisava temer pois agora tinha uma luz para me guiar. E eu entrei no túnel, para meu espanto a cada passo que eu dava a luz parecia iluminar mais, o medo se foi e comecei a admirar aquele túnel como se as paredes tivessem uma beleza em cada canto.

domingo, 2 de outubro de 2011

Sonho 4 - Noite Cigana

Já era tarde da noite, mas nunca tivemos hora mesmo e por isso estávamos acordados na tenda que era bastante espaçosa. Eu era uma cigana de 12 anos, bem bonita; morena, cabelos longos cacheados, rosto arredondado. Eu era um pouco gordinha, também era uma garota esperta e viva. Lembro que usava meu vestido vermelho, que tirando o vestido de festa que usava para dançar aquele era o meu preferido, mesmo já estando velhinho. Não tínhamos muito dinheiro ganhávamos o suficiente para viver e vivíamos bem assim. Tínhamos nossas próprias regras. Na tenda comigo sentada sobre um pequeno barril estava minha irmã que tinha por volta de 11 anos, o nome dela era Sara, ao contrario de mim ela era calma, tinha os cabelos lisos, pele morena clara e era bem magrinha; era linda. Aquele ar sereno no rosto encantava qualquer um. E tinha também um menino em pé ao meu lado, o Dim, o nome correto é Dimitre; nosso melhor amigo. Ele era branco, e um gagim era proibido no acampamento, mas nem me lembro como ele foi aceito por lá. Desde que me reconheço por gente sempre esteve conosco, não me recordo de andarmos sem ele; talvez por ser criança a matriarca permitisse.
 É estranho eu sei, mas nosso acampamento era dirigido por uma mulher e chamávamos de matriarca era uma senhora já idosa, todos a respeitavam ela era dotada de grande poder de vidência e diziam que sua magia era poderosa. Meu nome era Alana.
 Dim para os adultos era tratado de “gagim”. Assim como os gagins adultos não gostavam de nós porque nos chamavam de ladrões e sujos, nós não gostávamos deles.
 Estávamos conversando na tenda quando ouvi um grande falatório do lado de fora, eram os homens, consegui ouvir que eles tinham pegado um homem branco que além de invadir o acampamento tinha matado um dos nossos. As acusações eram gravíssimas. Os homens discutiam o que fazer, eu queria ver quem era, mas nós mulheres não podemos participar dessas conversas quanto mais uma criança. Aproximei-me de uma abertura na tenda e cautelosamente coloquei meu rosto para fora e espiei. A lua estava cheia e clareava bem o local, vi o rosto do homem quando os outros o arrastaram passando próximo a nossa tenda, estava apavorado tinha a pele tão alva, cabelos curtos castanhos e olhos bondosos. Era um homem alto, magro de uns 33 anos, usava um blusão branco. Naquele olhar amedrontado tive toda a certeza do mundo que aquele homem não havia matado ninguém, ele provavelmente ficou encantado pela beleza exótica de uma de nossas mulheres quando foram a cidade ganhar algum dinheiro e veio ter com ela aqui. Ele de certo não tinha noção de que era proibido. Mas e o cigano morto? Não sei como aconteceu tão pouco sei explicar a minha certeza de que ele não é um criminoso.
 Os homens decidiram carregá-lo a presença da matriarca, ela com sua sabedoria ia dizer o que deveria ser feito.
Quando os homens se aproximaram da tenda entrei. Falei com Sara e com Dim que o homem não havia matado ninguém e de repente não sei o que aconteceu, comecei a falar várias coisas e todas tinham sentido para mim era algo que ia acontecer e era importante, quando voltei a mim Sara estava me chamando e dizendo que eu falava coisas que ninguém entendia e infelizmente eu não lembrava nada. Mas meu coração por um momento ficou apertado eu sabia que tinha o dom da vidência e sabia que eu era mais forte do que a matriarca; e eu estava crescendo com o tempo seria uma ameaça a sua supremacia, senti necessidade de me proteger precisava esconder esse dom pelo tempo que pudesse, entretanto agora não conseguia pensar com clareza, só estava preocupada com o rapaz. O tempo passava e nada acontecia.
Deveria ser por volta de uma da manhã quando os homens passaram novamente. O veredicto foi dado e seria a morte ao nascer do sol. Amarraram no ao tronco no centro do acampamento, nossas carroças e tendas ficavam em circulo formando uma grande praça.
Não sei o que deu em mim, mas eu precisava fazer algo, eu precisava tentar salva-lo. Falei com Sara e Dim, eles não entenderam, mas ajudariam. Fora da tenda pegamos nossas bicicletas e saímos do acampamento por um lado em que não havia ninguém, as mulheres estavam recolhidas e os homens concentrados em volta da fogueira bebendo vinho, limpando os seus punhais e esperando o amanhecer. Queria chegar à cidade o mais rápido possível, mas além da distancia, pois o acampamento ficava no final de uma estrada de barro cercado de um mato muito alto que a deixava escura e para piorar havia chovido muito noite passada, o barro estava fofo e a estrada esburacada. O barro respingava sobre minhas pernas pensei em como chegaria ao acampamento, logo depois cheguei à conclusão que aquilo pouco importava.
Já tinha se passado muito tempo quando finalmente chegamos ao nosso destino. Uma rua que terminava na subida de um morro, uma rua toda em paralelepípedo que refletia um tom prata sobre a luz da lua e de antigas luminárias na rua. A primeira casa antes da subida do morro era uma casa muito antiga de cor branca que ficava ao nosso lado direito. Paramos no inicio da rua, tudo o que eu sabia é que nela morava uma senhora idosa que podia nos ajudar a salvar o homem, mas algo me detinha, não consegui me mover, sentia um medo e me sentia vigiada. Era verdade do alto do morro pude ver escondido atrás de muros e pedras diversos gagins e tive medo, pois eles nos detestavam, o medo de ser atacada cresceu, pensava em como chegar a casa sem enfurecê-los, mas não conseguia me mover ficava ali parada e o sol estava quase nascendo. Ficava tentando imaginar o que aquela velha senhora podia fazer para salva-lo quase tentando justificar-me dizendo que eu realmente não podia fazer nada. Diante desses sentimentos de medo e impotência fui arrancada deste sonho, olhava ao redor de minha cama procurando no meu quarto pela resposta a única pergunta que me angustiava, “consegui salva-lo?”. Minha consciência gostaria que sim, porém o sentimento que tenho é não. É como se em minha imaginação eu até conseguisse vê-lo sangrando naquele tronco. Quis voltar a sonhar, entretanto foi impossível; talvez porque meu coração já tenha me dado a resposta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sonho 3 - Tormenta e Calmaria

Eu caminhava na escuridão pela cidade enlameada, vi uma pequena multidão remexendo a lama, quando um pedacinho de ferro vermelho chamou minha atenção, corri para lá, achei que era a bicicleta da minha filha embaixo daquela lama, comecei a remexer com as pessoas, encontramos um velho sapato de homem a bicicleta e mais nada, fiquei aliviada, ela não estava lá. Continuei andando.
Era uma tarde bonita e eu agora caminhava por uma pequena estrada na praia, foi quando olhei para o meu lado direito onde estaria o mar e para meu espanto havia uma enorme onda congelada, ela deveria ter uns três metros de altura e eu estava surpresa não imaginava que era possível o mar congelar, fiquei alguns instantes parada, olhando e de repente eu estava agora no mar, e ele estava muito revolto ao meu lado a alguns metros eu me via com minha filha tentando segura-la naquelas ondas e ao mesmo tempo tentava segurar minha bolsa, eu estava desesperada pois tinha de segurar minhas coisas, cuidar de minha filha e me cuidar. Nesse momento para meu maior desespero tudo que estava na bolsa começou a sair, havia documentos e coisas importantes e mais desesperada eu fiquei. Foi quando me disse em pensamento para deixar para lá, não tentar agarrar, deixar e me acalmar, quando me vi fazendo isso o mar parou as águas ficaram tranqüilas olhei novamente e eu e minha filha estávamos bem. Sai da água e me dirigi para uma antiga e linda casa no alto da encosta, era um hotel. O recepcionista falava com o meu ex-marido, mas quando cheguei perto do balcão ele o ignorou e veio falar comigo, meu ex-marido me olhava com espanto e admiração, mas também o ignorei, queria um quarto para me lavar te toda a areia da praia. Subi e fui logo ao banheiro, mas não entrei no chuveiro, parei diante de uma pequena pia e comecei a passar as mãos sobre o meu corpo, meu cabelo e rosto e toda a areia ia saindo, neste momento levantei a cabeça e me vi no espelho. Me surpreendi com o que vi, eu estava diferente, meu cabelo era comprido e preso em um coque no alto da cabeça, como uma dama antiga, eu estava mais velha deveria estar com uns quarenta e quatro anos no espelho. Mas o que realmente me chamava a atenção era como eu estava linda, meu rosto era de uma mulher madura, segura de si e iluminada. Como se para aquela mulher tudo fosse possível. Era o rosto de uma vencedora.

Escrevi este sonho a uns 10 anos atrás, posso me achar uma vencedora hoje.  Houve um tempo em  que o mar estava tão revolto que achei que me afogaria e até vontade de desistir de nadar eu tive. Muitas vezes queria um apoio ou alguém me esperando numa praia, somente para me incentivar. Eu me sentia tão só. Esse sentimento vem e vai, não sei se um dia vai me deixar, espero que sim, mas caso não; estou aprendendo a nadar cada vez melhor. Nem sempre me saio bem, mas não me afoguei e estou aqui nadando todos os dias e cada vez mais forte, as ondas me assustam cada vez menos, então sou sim uma VENCEDORA.