Era noite eu descia uma pequena ladeira, havia calçadas, mas a rua era de terra, estava perdida e amedrontada, parei em direção oposta as pessoas que desciam e procurava uma mulher para perguntar se estava na direção certa. Lembro que a segunda mulher eu perguntei se aquele era o caminho do Méier, não sei por que Méier, mas enfim; era uma senhora gorda de meia idade e usava um vestido estampado, ela não sabia me informar. Um senhor de estatura mediana, cabelos totalmente grisalhos, obeso, com roupas antigas e velhas; ouviu a minha pergunta e notou que eu não questionava aos homens, pois tinha medo deles perceberem que eu estava perdida; de longe disse que eu estava no caminho certo, mas não me passou nenhuma confiança. Entretanto não tinha escolha, segui caminhando ladeira abaixo e notei que não estava indo para o local desejado, e sim para uma área portuária, muito suja e com equipamentos industriais. A ladeira começou a ficar muito íngreme e com curvas acentuadas e a estrada muito estreita, de repente eu parecia um gigante me segurava nos equipamentos industriais para não cair ladeira abaixo. Quando finalmente cheguei ao porto tudo era muito escuro, sujo e repleto de restaurantes e bares. Segui meu caminho e teria que entrar em um túnel muito assustador, na entrada do túnel uma jovem entregava velas, eu observei que o homem a minha frente esperava a sua, ela com uma vareta pegou uma quantidade de parafina e modelou uma vela muito interessante que me impressionou, quando me aproximei esperei por uma vela tão interessante quanto à dele, mas para minha surpresa ela demorou muito e me veio com um objeto que eu não gostei nem um pouco: tinha a forma de uma caneta de um vermelho vivo e acendia feito um acendedor de fogão, vendo minha decepção ela me explicou que cada vela tinha um propósito e que neste túnel entravam casais em lua de mel e pessoas sozinhas como eu; que buscavam o autoconhecimento e que eu não precisava temer pois agora tinha uma luz para me guiar. E eu entrei no túnel, para meu espanto a cada passo que eu dava a luz parecia iluminar mais, o medo se foi e comecei a admirar aquele túnel como se as paredes tivessem uma beleza em cada canto.
Eis a famosa "luz no fim do túnel". A gente pensa que determinada situação é catastrófica mas no fundo nos leva a um novo caminho, a uma luz. Eu mesma estou tentando aprender isso, confesso que tem sido difícil.
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