Eu caminhava na escuridão pela cidade enlameada, vi uma pequena multidão remexendo a lama, quando um pedacinho de ferro vermelho chamou minha atenção, corri para lá, achei que era a bicicleta da minha filha embaixo daquela lama, comecei a remexer com as pessoas, encontramos um velho sapato de homem a bicicleta e mais nada, fiquei aliviada, ela não estava lá. Continuei andando.
Era uma tarde bonita e eu agora caminhava por uma pequena estrada na praia, foi quando olhei para o meu lado direito onde estaria o mar e para meu espanto havia uma enorme onda congelada, ela deveria ter uns três metros de altura e eu estava surpresa não imaginava que era possível o mar congelar, fiquei alguns instantes parada, olhando e de repente eu estava agora no mar, e ele estava muito revolto ao meu lado a alguns metros eu me via com minha filha tentando segura-la naquelas ondas e ao mesmo tempo tentava segurar minha bolsa, eu estava desesperada pois tinha de segurar minhas coisas, cuidar de minha filha e me cuidar. Nesse momento para meu maior desespero tudo que estava na bolsa começou a sair, havia documentos e coisas importantes e mais desesperada eu fiquei. Foi quando me disse em pensamento para deixar para lá, não tentar agarrar, deixar e me acalmar, quando me vi fazendo isso o mar parou as águas ficaram tranqüilas olhei novamente e eu e minha filha estávamos bem. Sai da água e me dirigi para uma antiga e linda casa no alto da encosta, era um hotel. O recepcionista falava com o meu ex-marido, mas quando cheguei perto do balcão ele o ignorou e veio falar comigo, meu ex-marido me olhava com espanto e admiração, mas também o ignorei, queria um quarto para me lavar te toda a areia da praia. Subi e fui logo ao banheiro, mas não entrei no chuveiro, parei diante de uma pequena pia e comecei a passar as mãos sobre o meu corpo, meu cabelo e rosto e toda a areia ia saindo, neste momento levantei a cabeça e me vi no espelho. Me surpreendi com o que vi, eu estava diferente, meu cabelo era comprido e preso em um coque no alto da cabeça, como uma dama antiga, eu estava mais velha deveria estar com uns quarenta e quatro anos no espelho. Mas o que realmente me chamava a atenção era como eu estava linda, meu rosto era de uma mulher madura, segura de si e iluminada. Como se para aquela mulher tudo fosse possível. Era o rosto de uma vencedora.
Escrevi este sonho a uns 10 anos atrás, posso me achar uma vencedora hoje. Houve um tempo em que o mar estava tão revolto que achei que me afogaria e até vontade de desistir de nadar eu tive. Muitas vezes queria um apoio ou alguém me esperando numa praia, somente para me incentivar. Eu me sentia tão só. Esse sentimento vem e vai, não sei se um dia vai me deixar, espero que sim, mas caso não; estou aprendendo a nadar cada vez melhor. Nem sempre me saio bem, mas não me afoguei e estou aqui nadando todos os dias e cada vez mais forte, as ondas me assustam cada vez menos, então sou sim uma VENCEDORA.
Cara XX:
ResponderExcluirCongratulado seja esta madrugada de sexta feira quando ao vagar por inúmeros sites banais deparo-me com um blog tão promissor!
Particularmente acho sonhos muito interessantes e como você mesma disse XX, acho que acabei encontrando uma das suas pontes construídas e vim parar aqui, esse é o primeiro sonho que estou lendo e pretendo continuar seguindo suas "confissões".
Gostaria de agradecer e parabenizá-la por tamanho gesto de cumplicidade uma vez que está dividindo conosco suas histórias. Sinto-me honrado por esta oportunidade. Percebo que é uma pessoa batalhadora e de um ótimo caráter, o tipo de pessoa que sem dúvidas vai manter a minha atenção por muito tempo ao longo de futuras publicações [torço para que existam!]
Aproveito para demonstrar minha admiração pelo desenho postado como lembrança, sinto que a autora do desenho divide comigo um gosto em comum...
Sem mais coragem para tomar o seu tempo gostaria de agradecer mais uma vez pela leitura e espero ansioso por novidades.